O dia das mães no Brasil é a segunda data comemorativa mais celebrada pelo comércio, perdendo economicamente apenas para o natal.

Isso me fez pensar quanto à origem e os motivos da criação desta data.

Você conhece a história do dia das mães?

Depois irei propor um olhar sistêmico desde as constelações familiares e um exercício prático para homenagear a nossa mãe, independentemente se ela estiver viva ou não.

Mitologia greco-romana

O costume de homenagear as mães remonta da Antiguidade.

Existem referências que demonstram a prática de festas cuja duração tinha três dias e incluía paradas, jogos, baile de máscaras, presentes e banquetes.

Tudo isso em oferecimento às mães e as divindades que as representavam.

Podemos citar, por exemplo, as seguintes deusas mitológicas: Rhea, considerada mãe dos deuses gregos, e a deusa correspondente romana Cybele.

Há tantas outras deusas que poderiam ser citadas como representantes do feminino nas mais variadas culturas e civilizações.

Pois, trata-se da representação de um arquétipo, em que o sagrado do feminino é invocado e reverenciado.

Isso é comum nas diferentes regiões do planeta, desde os primórdios da civilização.

Origem do dia das mães em nossa civilização

No entanto, o Dia das Mães como é celebrado atualmente teve origem nos EUA, graças a uma mulher que lutou com todas as forças para que ele fosse criado e, depois, abolido.

Antes de se tornar um dia para dar presentes, ramos de flores e cartões, essa data era reservada para que as mulheres chorassem os soldados caídos e lutassem pela paz.

Tudo começou com uma mulher chamada Ann Reeves Jarvis (1832-1905), ela organizava grupos de mulheres que trabalhavam para melhorar as condições sanitárias da época e, assim, reduzir a mortalidade infantil, além de cuidar de soldados feridos durante a Guerra Civil norte-americana.

Depois da guerra, Jarvis passou a organizar reuniões pacifistas — ou Dia das Mães —, incentivando as mulheres a adotar um papel mais politicamente ativo.

Filha dedicada

Mas foi Anna (1864-1948), filha de Ann, quem transformou essa data no que ela é hoje.

Anna ficou extremamente tocada pelo falecimento de sua própria mãe, passando a organizar homenagens que, pouco a pouco, acabaram se espalhando para outras cidades e estados norte-americanos.

Os eventos foram se tornando tão populares que, em 1914 é aprovada a resolução pelo congresso dos Estados Unidos, instaurando o segundo domingo de maio como dia das mães.

Arrependimento posterior

Anna ficou profundamente perturbada quando percebeu que a festividade estava se transformando numa mina de ouro e uma comemoração de cunho comercial.

Frustrada, passou a organizar boicotes, participar de protestos e inclusive foi presa por perturbar a ordem.

Ela acabou gastando toda a sua herança e energia para abolir a celebração que ela havia criado anos antes, apesar de ter podido lucrar absurdamente com a “comercialização” do Dia das Mães.

Anna acabou morrendo sozinha e sem um tostão em um hospital psiquiátrico aos 84 anos.

E como surgiu no Brasil?

No Brasil, em 1932, o então presidente Getúlio Vargas, a pedido das feministas da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino , oficializou a data no segundo domingo de maio.

A iniciativa fazia parte da estratégia das feministas de valorizar a importância das mulheres na sociedade, animadas com as perspectivas que se abriram a partir da conquista do direito de votar, em fevereiro do mesmo ano.

Em 1947, Dom Jaime de Barros Câmara, Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, determinou que essa data fizesse parte também no calendário oficial da Igreja Católica.

Perdemos a essência

O dia das mães surge com a finalidade de homenagear as mães, mas a sociedade perdeu essa essência.

Qual é a essência desse dia? Não é homenagear as mães e refletir sobre a sua importância?

Desde a mais remota história, observamos essa necessidade da humanidade de reconhecer e honrar a natureza feminina, através das mães.

Entretanto atualmente, pouco ou quase nada se reflete sobre a importância das mães e o motivo pelo qual o feriado existe.

O objetivo deste artigo é justamente o resgate dessa essência perdida.

A influência do marketing e a comercialização da data

Infelizmente, a comercialização da data faz parecer que tudo se resume a compra de um presente.

O significado primevo não é esse.

Antes de tudo, a essência do dia é “estar presente” e “homenagear” àquela que nos deu à vida.

As constelações familiares e nossa origem

Tudo aquilo que somos possui uma origem. Nossos pais são a nossa origem mais próxima.

Somos constituídos em porcentagem igual de cinquenta por cento vindo de nosso pai e cinquenta por cento de nossa mãe.

Como nos ensinam as Constelações Familiares, reconhecer isso e honrar nossa origem é o caminho para uma vida próspera em todas as áreas.

Negar a origem é negar a si mesmo

Todo aquele que renega a sua origem tem as mais variadas formas de conflitos e emaranhamentos.

Quem não reconhece a mãe ou ao pai, não reconhece a sim mesmo. Em nossa biologia estão os dois.

Existe uma ordem nas constelações familiares que diz: “quanto mais eu excluo, mais eu carrego”.

Não adianta negar certas características do pai ou da mãe, pois a negação fará com que isso esteja cada vez mais presente.

Em resumo, nós somos fruto de nosso pai e de nossa mãe e negar isso é negar a nós mesmos e negar a vida.

Se eu aceito meus pais e minha origem, minha vida segue uma direção, se eu os rejeito ela vai para outro lado, oposto.

Qual é o papel da mãe dentro da visão sistêmica das constelações?

A mãe representa a vida que está em mim. Se eu não reconheço a minha mãe ou se não tomo a sua força, provavelmente não terei gana de vida.

Aliás, muitas pessoas depressivas quando chegam para abrir uma constelação familiar, encontram a causa desse sintoma na falta de ter tomado a força da mãe.

Honrar a Vida

Quando verdadeiramente o filho reconhece a mãe e toma a sua força, há um respeito.

Para as constelações familiares isso está relacionado à honra que se sente por vir dela.

Ao reconhecimento efetivo de sua importância por ter gerado a vida.

Através desse respeito admitimos e aceitamos que essa mãe não é perfeita, tem suas dificuldades e defeitos, mas a aceitamos da maneira que é.

Essa visão que a constelação familiar nos traz tira das mães o peso que a cultura e sociedade impõem a elas.

Reconhecer a humanidade da mãe e aceitar que ela é um ser humano imperfeito é um passo importante para tomar a sua força.

O entendimento de que honrar a mãe é honrar a própria vida faz toda a diferença na constituição do indivíduo.

“Sentir” o essencial.

Quando conseguimos abrir o suficiente nosso coração e olharmos a luz e a sombra da mãe, enxergando além de seus defeitos e qualidades, tomamos a sua força de vida.

Reverenciando e enxergando além, muito além do que é certo ou errado segundo o nosso entendimento.

O que acontece quando não fazemos isso?

A falta desse reconhecimento impede as realizações e progressos nas mais variadas áreas de nossas vidas.

Por exemplo: faltando prosperidade, problemas afetivos, saúde, vitalidade, perda da força de vida e até mesmo de riqueza material.

Movimento verdadeiro.

Para reverter esse quadro, o reconhecimento e reverência devem ser legítimos.

Vale dizer que isso não é um movimento mental, precisa nascer da alma, deve ser genuíno.

É por isso que não basta só fazer uma constelação familiar que tudo se resolve. Deve vir de dentro, do mais íntimo do ser, essa reverência à mãe.

Constelações Familiares: Reconfigurando padrões transgeracionais.

Se em alguma área de sua vida você não vai bem, talvez, muito provável, que não tenha havido o reconhecimento verdadeiro em si, da força materna.

As constelações familiares objetivam trazer reequilíbrio no sistema familiar, ao proporcionar ajustes de percepção.

Quando isso acontece verdadeiramente o reequilíbrio é novamente instaurado.

“A essência de tudo está hospedada na alma, não só a alma da mãe, mas na alma do seu sistema familiar”.

Mario Koziner

Não são raras as situações em que uma filha (ou filho) abre uma constelação familiar e encontra a raiz de seu problema no vínculo com a mãe.

Muitas vezes encontramos padrões de comportamento que vem sendo carregado por gerações e gerações.

E quando isso é reconfigurado na “alma familiar”, o constelado é beneficiado, assim como todo o seu sistema.

Vale dizer que após uma constelação familiar, os reparos atuam ainda por muito tempo depois de realizada.

A alma familiar e sua essência são resgatadas e restauradas de alguma forma, e isso reverbera em todos os integrantes do sistema, além do tempo.

Movimento de amor interrompido

É o movimento em que a força da mãe não foi passada, pois aconteceu algum emaranhamento com a mãe ou com os seus antepassados.

O fluxo da força é interrompido por isso.

Neste artigo não falaremos sobre isto, mas nos próximos trataremos desses temas intimamente ligados com o de hoje.

Em nosso Curso de Formação em Constelações Familiares, todos os alunos revisam o posicionamento estrutural, de base, que tem com seus pais. Muitos o modificam, liberando forças de vida que estavam aprisionadas na sua alma.

Assim, aprendem a realizar isto com outros.

O resgate da essência

Precisamos resgatar a essência inicial do dia das mães, para que essa data não se resuma a compra de um presente.

Não é isso o mais importante, embora não exista problema em homenagear as mães com presentes.

Com o intuito de fazer esse resgate, preparei a seguinte meditação e convido a todos a fazê-la, em homenagem as suas mães:

Meditação

“Mãe, dispenso-te das minhas expectativas de que sejas melhor que outras mulheres”.

Bert Helliger

Fique numa posição confortável, relaxe o corpo e acalme a mente.

Tome o ar pelo nariz, encha bem os pulmões de ar e solte o ar pelo nariz e pela boca.

Faça isso por três vezes, pelo menos. Ao exalar, solte todo o ar e com ele as tensões e as preocupações.

Abra  um parênteses para mergulhar nas águas profundas de sua alma.

Permita que se apresentem imagens relacionadas à sua mãe e observe.

 Observe as sensações que estas imagens provocam no seu corpo.

Onde estão localizadas essas sensações? Sem querer mudá-las.

Simplesmente as observe e deixe que apareçam mais e mais imagens relacionadas com a sua mãe.

Observe qual o efeito que tem essas imagens e suas sensações associadas, na sua alma. Que efeito tem?

 Como vê o mundo através dessas sensações e dessas imagens? Como sente a vida? Como vê a vida?

A vê como se fosse pequeno? A vê do seu tamanho? Ou vê a vida como se fosse maior do que ela?

Como percebe a vida através das imagens que aparecem da sua mãe e as sensações associadas?

Você se vê a si mesmo como uma pessoa de sucesso? Vê-se rico ou pobre? Desta perspectiva o que você faz na vida?

Como se relaciona com você mesmo e com os outros?

Agora, deixe que estas imagens possam ir se diluindo, apagando, desaparecendo, as imagens e as sensações relacionadas a elas.

Agora, imagine os olhos de sua mãe.

Só os olhos, como se através dos olhos de sua mãe você pudesse olhar a alma dela.

E a vida como um todo, a vida que lhe trouxe a este mundo, a vida que lhe foi dada através da sua mãe.

Olhe a vida completa, nos olhos da sua mãe, livre daquelas imagens e sensações anteriores.

Olhe através dos olhos para a vida e diga:

“MÃE, agora tomo a você, agora tomo minha vida em você.

Assim como é, com tudo o que custou para você e o que custa para mim.

Faço algo de bom com isso, com essa vida faço algo de sucesso, em sua honra e para a sua alegria.

Você, mãe, é a grande e eu sou o pequeno (a pequena).

Você dá e eu tomo. Eu tomo a vida, de você e através de você, tomo tudo.

Tomo tudo……

Querida mãe!

Mario Koziner

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